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03/10/2018 ás 08h58 - atualizada em 03/10/2018 ás 09h15

Moraes Filho

Xinguara / PA

Ficar colado em Lula garantiu a Haddad lugar no 2º turno, se houver — acho que sim. Mas só terá chance com mais Brasil e menos Curitiba
Haddad terá de ganhar a personalidade de um candidato. Não pode ser a voz presente de um ausente na disputa
Ficar colado em Lula garantiu a Haddad lugar no 2º turno, se houver — acho que sim. Mas só terá chance com mais Brasil e menos Curitiba
Haddad e a máscara de Lula: era preciso convencere que ele era o outro. Agora tem de ser ele por ele

Os bolsonaristas já falam em vencer no primeiro turno. Ainda estão longe disso. E também é preciso contar com a reação do PT — alguma haverá. Tenho pra mim que os petistas precisam levar algumas coisas em conta:


1: Insistir em questões ligadas a comportamento não leva a lugar nenhum; em muitos aspectos, a população mais pobre é tão moralista como as elites — ou até mais porque costuma viver mais de acordo com os valores que anuncia; é um moralismo honesto, o que não é o caso de alguns notórios hipócritas;


2: críticas de Fernando Haddad aos tucanos ou a Michel Temer — ou ao golpe — são inócuas porque, como se sabe, os bolsonaristas também as fazem, ainda que estejam começando a receber adesões de políticos oriundos do tucanato e de partidos que compõem o Centrão;


3: o Lula que fortaleceu Haddad, levando-o ao segundo turno — em havendo um; acho que haverá — também o enfraquece. Se o PT quer ter alguma chance de vencer as eleições, tem se pensar mais no Brasil e menos em Curitiba;


4: a campanha do PT terá de focar em questões ligadas à economia, opondo as suas propostas às do adversário e convencer os mais pobres de que o candidato do partido é a melhor resposta;


5: o petista vai ter de se concentrar no voto dos mais pobres: tem 28% dos que ganham até dois mínimos, e Bolsonaro, 21%. Nessa faixa, o nome do PSL é rejeitado por 54%, e o do PT, por apenas 22%. Já entre os que ganham entre dois a cinco, a rejeição ao petista cresceu de 37% para 48%, e a do adversário se manteve em 41%.


5: Haddad terá de ganhar a personalidade de um candidato. Não pode ser a voz presente de um ausente na disputa. Isso tirou do segundo turno Geraldo Alckmin e Ciro Gomes. Mas não vai dar a vitória. Começou a contar contra ele.


E Bolsonaro? Tem de fazer o quê? O que vem fazendo: ele é o anti-PT. E isso tem valido por uma plataforma de governo.




Por: Reinaldo Azevedo


José Reinaldo Azevedo e Silva é um jornalista político brasileiro, de orientação política liberal ou, segundo ele próprio declara, inserido no campo da direita liberal e democrática. Atualmente, Reinaldo é colunista no jornal Folha de S.Paulo e atua como comentarista do telejornal RedeTV!

FONTE: REINALDO AZEVEDO

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