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05/12/2018 ás 16h53 - atualizada em 05/12/2018 ás 17h04

Moraes Filho

Xinguara / PA

Pobreza aumenta e atinge 46% dos paraenses, mostra estudo do IBGE
Neste apagar de luzes da gestão de Simão Jatene, é bom que se lembre, a bomba social, com o laço de fita da miséria, vai cair diretamente no colo do governador eleito Helder Barbalho, que tomará posse em 2019.
Pobreza aumenta e atinge 46% dos paraenses, mostra estudo do IBGE
FOTO: DO BLOG ZE DUDU

O que o Blog do Zé Dudu havia divulgado aqui três semanas atrás, em levantamento inédito e exclusivo, com metodologia de cálculo própria, veio como uma bomba na manhã desta quarta-feira (5): o Pará está atolado em pobreza e é uma das Unidades da Federação com as mais elevadas proporções de pobres e miseráveis. É o que constata oficialmente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da extensa “Síntese de Indicadores Sociais (SIS)”, estudo que analisa o panorama das condições de vida no país, em diversos recortes temáticos, tendo como referência 2017.


O Pará é o 5º estado do país em percentual de população pobre, segundo o IBGE, com 46,02% de seus habitantes nessa condição. Em números absolutos, 3,83 milhões de paraenses estavam abaixo da linha de pobreza no ano passado, 30 mil a mais em relação a 2016. Nas contas do instituto, para erradicar a pobreza no Pará seriam necessários, hoje, desembolso mensal na ordem de R$ 729,9 milhões ou R$ 8,76 bilhões por ano, o equivalente a 42% da arrecadação do estado.


Para caracterizar a existência da pobreza, o Banco Mundial estipula como rendimento-base o valor de até 5,5 dólares por dia (ou R$ 406 por mês), por pessoa. Desse modo, a proporção de pobres no Brasil, que era de 25,7% da população em 2016, subiu para 26,5% em 2017. Em números absolutos, esse contingente variou de 52,8 milhões para 54,8 milhões de pessoas no período. A proporção de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos que viviam em lares com rendimentos de até R$ 406 por mês passou de 42,9% para 43,4%.


Situação de miséria


Mas o Pará não é só pobreza, não. Ainda há a conta, feita pelo IBGE, do batalhão de miseráveis — pessoas que estão um passo atrás da pobreza ou, mais claramente, em pobreza extrema. Para estipular o contingente de pessoas nessa situação, o rendimento-base utilizado pelo Banco Mundial é de até 1,90 dólar por dia (ou R$ 140 por mês) por pessoa. Nessa condição estavam 6,6% da população do país em 2016 e avançou para 7,4% em 2017. Em números absolutos, o contingente progrediu de 13,5 milhões para 15,2 milhões de brasileiros no período.


Já no Pará o total de miseráveis atingiu 12,8% da população em 2017, o que corresponde a 1,07 milhão de paraenses em situação de pobreza extrema. Ele é o 10º do país em percentual de moradores em condições de indigência e com a possibilidade diária de passar fome. Para piorar, a taxa de miséria avança em ritmo impressionantemente maior que a de pobreza, uma vez que de 2016 para 2017 o Pará ganhou 60 mil novos miseráveis.


Matematicamente, para eliminar a miséria no Pará, são necessários investimentos mensais de R$ 68,57 milhões (ou R$ 822,79 milhões por ano).


Nem a capital escapa


No ritmo do Pará, Belém também é, hoje, uma das capitais mais socialmente empobrecidas entre as 27 do Brasil. Com 29,83% de sua população em situação de pobreza, é a 6ª do país em proporção de moradores carentes — quase seis vezes mais que a menos pobre, Florianópolis, com 5,11%. Em números absolutos, são 432 mil belenenses, o que daria para lotar uma cidade do tamanho de Marabá e outra do tamanho de Parauapebas só de pessoas necessitadas do básico. De 2016 para 2017, Belém ganhou 22 mil novos pobres.


Em contingente de miseráveis, a capital paraense tem 5,62% de sua população nessa condição e é a 10ª do Brasil, perseguindo praticamente as mesmas colocações do estado no ranking nacional. Em números absolutos, a miséria atinge 81 mil belenenses — é como se uma população do tamanho de Redenção não soubesse o que será do almoço de hoje. Em 2016, Belém concentrava 58,5 mil miseráveis e disparou o número devido à escassez de políticas de emprego e renda para tirar seus habitantes da situação de indigência.


Para exterminar a pobreza na capital, seriam necessários R$ 69,31 milhões por mês. Já o fim da miséria belenense custaria R$ 5,9 milhões mensais.


Moradias inadequadas


O Pará também é mau exemplo de moradias inadequadas, segundo a pesquisa. Isso porque 26,16% dos paraenses vivem em domicílios nos quais ou falta de banheiro, ou há paredes com materiais não duráveis, ou existe número excessivo de moradores, ou o aluguel cobra é exorbitante, ou se verifica o conjunto de todas essas características.


Ainda hoje, em pleno século 21, muitos paraenses fazem suas necessidades fisiológicas distantes de casa porque nesta não há banheiro, um problema que atinge 12,95% dos habitantes. Uma proporção de 3,36% dos paraenses mora em casas que não são feitas de alvenaria, ao passo que 13,84% dos cidadãos compartilham quartos minúsculos com três pessoas ou mais. Além de tudo isso, 2,48% dos paraenses moram em imóveis cujo aluguel supera 30% da renda familiar declarada.


Municípios fora da capital


A Síntese de Indicadores Sociais se limitou a apurar as condições de vida apenas em nível de regiões, estados e municípios das capitais, sem recortes para municípios de interior ou das regiões metropolitanas. No entanto, o Blog do Zé Dudu atualizou os números de pobreza para 2018, do Governo Federal, a partir dos mesmos limites de rendimento estabelecidos pelo Banco Mundial, e constatou a dispersão da pobreza Pará adentro.


Além de Belém, os números absolutos de pessoas pobres estão em Ananindeua (178,5 mil), Santarém (175,1 mil), Abaetetuba (104,8 mil), Marabá (90,1 mil), Cametá (87,7 mil), Castanhal (80,2 mil), Breves (75,3 mil), Bragança (75,2 mil), Barcarena (62,7 mil) e Parauapebas (62,1 mil). A capital do estado alcançou, em 2018, aliás, 470,9 mil pessoas abaixo da linha da pobreza, e o Pará, 4,23 milhões.


Neste apagar de luzes da gestão de Simão Jatene, é bom que se lembre, a bomba social, com o laço de fita da miséria, vai cair diretamente no colo do governador eleito Helder Barbalho, que tomará posse em 2019. Os números de pobreza, que se avolumaram nas últimas décadas no Pará, terão desfecho trágico em 2020, por ocasião do recenseamento demográfico e, a partir desse evento, ganharão o mundo por meio dos indicadores de desenvolvimento e progresso social gerados, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do qual o estado é sempre freguês, nas últimas colocações.


Como não há recursos suficientes para desembolsar na erradicação da pobreza e da miséria, já que custam quase R$ 9 bilhões por ano, a situação se agrava anualmente. E o Pará se vê amarrado ao vexame social, que certamente não vai mudar em curto e médio prazos, já que a situação parece não preocupar os políticos paroaras.


FONTE: PARÁ NEWS

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