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Política

12/01/2019 ás 11h16

Moraes Filho

Xinguara / PA

Especialistas demonstram preocupação com a política externa de Bolsonaro
Desconvite à Venezuela e Cuba e saída de pacto migratório são vistos como sinais preocupantes
Especialistas demonstram preocupação com a política externa de Bolsonaro
Especialistas ouvidos pela Reuters são unânimes em afirmar que é difícil dizer a que veio o novo chanceler, Ernesto Araújo. (Ueslei Marcelino/ Agência Reuters)

Agência Reuters - Dez dias depois da posse de Jair Bolsonaro, a política externa do novo governo ainda é um mistério, mas com sinais preocupantes de que as mudanças que devem vir por aí podem mais atrapalhar do que ajudar as relações internacionais do Brasil, especialmente na área econômica.


Especialistas ouvidos pela Reuters são unânimes em afirmar que, por enquanto, é difícil dizer a que veio o novo chanceler, Ernesto Araújo.


Seu discurso de posse --um momento em que o chefe das Relações Exteriores costuma dar as diretrizes de como pretende trabalhar a política externa-- apenas serviu para confirmar as ideias que Araújo havia demonstrado em seu blog nos últimos meses, do antiglobalismo à defesa da religião, em sinais avessos à tradicional diplomacia brasileira.


"Nos últimos 30, 40 anos havia uma outra visão de mundo, há na região uma nova geopolítica e, além disso, a ascensão de Ernesto Araújo quebrou a hierarquia tradicional do Itamaraty. Dentro desse quadro fica muito difícil falar sobre o futuro da política externa porque ainda não estão indicadas as diretrizes e as prioridades do Itamaraty", analisa do embaixador Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington.


Os sinais dados até agora caminham para uma ruptura com políticas tradicionais da diplomacia brasileira, como a clara opção pela não-ingerência, o apego ao diálogo e ao multilateralismo e o não-alinhamento.


Barbosa cita o desconvite à Venezuela e Cuba para participaram da pose de Bolsonaro e a decisão do Brasil de deixar o pacto migratório como dois sinais preocupantes.


"Isso não atendeu às melhores tradições do Brasil e nem resultou em nada favorável ao Brasil", avaliou. "A retirada do pacto migratório também não altera nada, porque esse pacto não criava regras para os países. Foi um gesto que causou apreensão no exterior sem nenhum ganho para o Brasil.


"O discurso de posse de Araújo foi recheado de críticas ao próprio Itamaraty e à postura da diplomacia brasileira.


"Acho que nossa política externa vem se atrofiando por medo de ser criticada. Não tenham medo de ser criticados", disse o novo chanceler, em uma fala recebida com frieza pelos diplomatas presentes. "Queríamos ser um bom aluno na escola do globalismo e achávamos que isso era tudo. O Brasil volta a dizer o que sente e sentir o que é.


"Para um embaixador recém-aposentado, que chegou aos mais altos níveis da carreira, o discurso não atendeu aos interesses do Brasil.


"O que eu vejo é uma política externa coerente com a inclinação ideológica do presidente e de seu chanceler, mas não coerente com as necessidades que o Brasil tem em matéria de externalização da sua política econômica", disse o embaixador, que pediu para não ser identificado.


"O Brasil sempre atraiu investimentos até pelas características não ideológicas da sua política", acrescentou.


A maior preocupação de diplomatas e analistas ouvidos pela Reuters é o reflexo econômico que a política de Araújo e Bolsonaro podem ter. Até agora, as declarações mais fortes feitas pelo chanceler e o presidente rompem com regras diplomáticas tradicionais.

FONTE: O LIBERAL /Agência Reuters

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