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12/02/2019 ás 21h56 - atualizada em 12/02/2019 ás 22h23

Moraes Filho

Xinguara / PA

Defensoria vê indícios de mutilações em operação da PM que deixou 13 mortos no Rio
Os moradores não negam que seus familiares tivessem envolvimento com o tráfico, mas defendem que eles deveriam ter sido presos, e não mortos.
Defensoria vê indícios de mutilações em operação da PM que deixou 13 mortos no Rio
Chão ensanguentado após a polícia matar 13 pessoas na favela do Fallet, no centro do RioPilar Olivares/Reuters/

“Xingaram a gente de vagabunda e piranha. Disseram que mataram dez e que matariam mais vinte. Entraram na minha casa perguntando se eu era viciada. Não deixaram morador sair da comunidade para ir ao médico. Eles gritavam ‘socorro’, ‘não me mata’.”


Esses foram alguns dos relatos apresentados por moradores do morro do Fallet, no centro do Rio, palco de operação da Polícia Militar que deixou ao menos 13 suspeitos mortos na última sexta-feira (8).


Nesta terça (12), moradores e familiares dos assassinados participaram de uma roda de conversa com a Defensoria Pública do Estado, realizada em uma casa na comunidade. A Folha e outros veículos de imprensa acompanharam o encontro.


Os moradores não negam que seus familiares tivessem envolvimento com o tráfico, mas defendem que eles deveriam ter sido presos, e não mortos.



Chacina no Fallet-Fogueteiro: operação deixa 13 mortos. Fonte do Vídeo: The Intercept Brasil 


Pedro Strozenberg, ouvidor da Defensoria Pública, afirma que os indícios apontam para um cenário que poderia ter sido evitado. “É uma operação que tem muitas falhas. Um resultado duro para a comunidade e para a sociedade”, diz. (…)


A Folha consultou um médico legista, que explicou que os termos apontam que a causa primária para a morte foi disparo por arma de fogo, atingindo a cabeça, o tronco e os membros.


                          


                       Polícia apreendeu fuzis, pistolas e granadas durante a ação (//Divulgação)


No entanto, apenas a autópsia poderá esclarecer com detalhes o estado em que os corpos chegaram ao IML e se, de fato, houve tortura. A Defensoria informou que entrará com pedido para ter acesso a este documento.


A reportagem teve acesso a um vídeo, gravado no IML, que mostra os corpos feridos e com buracos. Um deles aparece com o intestino completamente para fora do corpo.  (…)


Por Ana Luiza Albuquerque, na Folha.

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