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07/05/2019 ás 07h45

Moraes Filho

Xinguara / PA

Se o Congresso tiver juízo, tira Coaf de Moro e o devolve à Economia
Manter com o ministro que também manda na Polícia Federal implica dar um caráter obviamente policial ao que, reitere-se, é órgão de controle.
Se o Congresso tiver juízo, tira Coaf de Moro e o devolve à Economia
Sérgio Moro: até agora, não está claro por que ele quer o Coaf com ele. Alguém já leu alguma explicação?

O lobby feito pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, que quer manter seus superpoderes teve um primeiro efeito positivo, embora seja quase nada porque nem se esperava que outro fosse ser o comportamento do relator da Medida Provisória da reforma administrativa. Leiam o que vai na Folha. Volto em seguida.


*
O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), afirmou nesta segunda-feira (6) que vai manter o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) no Ministério da Justiça, em seu relatório da medida provisória da reforma administrativa.


Com isso, o senador atende a uma demanda do titular da pasta, ministro Sergio Moro, que tem se posicionado contra uma movimentação de partidos de centro no Congresso para transferir o órgão para o Ministério da Economia.


"Eu trouxe uma notícia boa para o ministro. A gente vai manter o Coaf no Ministério da Justiça, no nosso relatório", declarou Bezerra Coelho, pouco depois de deixar uma reunião com Moro. "Mas é evidente que precisa haver trabalho de convencimento e mobilização, para que o governo possa construir maioria para a manutenção do Coaf no Ministério da Justiça", acrescentou.
(…)


Comento
Não esperava que Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo no Senado, fosse agir de modo diferente. Mas uma coisa é o que faz o relator, e outra, diferente, o que vai ser aprovado pelo Congresso.


Se os senhores parlamentares tiverem juízo, devolvem o Coaf para a pasta da Economia. Por que Moro precisa ter também esse controle? Se alguma anomalia for detectada na movimentação financeira, os órgãos de investigação serão acionados.


Manter com o ministro que também manda na Polícia Federal implica dar um caráter obviamente policial ao que, reitere-se, é órgão de controle.


Não se deve misturar o Coaf com uma espécie de quebra de sigilo de alvos selecionados, não é?


Ok. Agora restará a alguém me dizer que Moro jamais faria isso…


Sim, é verdade! Quando Bolsonaro convidou o então ainda juiz para ser ministro (viva o despudor!!!), o Torquemada da Lava Jato disse que aceitava o cargo com duas condições:
a: controle do Coaf;
b: autonomia.


Nota: Bolsonaro nem sabia o que era o Coaf. Um dos filhos, Flávio, estava junto. A família viria a saber dias depois o que era o dito-cujo…


A autonomia, Moro já não tem, como restou evidenciado, embora não demonstre pejo em tentar dar aparência de seriedade a alguns absurdos que estão na pauta do chefe — facilitação de armas e excludente de ilicitude, que vale por uma licença para matar.


Ele até topa jogar um pouco de brejo na sua biografia se puder manter o Coaf.


A questão que tem de ser respondida: por quê?


Ora, em caso de movimentações suspeitas, a PF será avisada. Por que Moro precisa desse controle prévio?


** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

FONTE: REINALDO AZEVEDO

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