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Política

07/05/2019 ás 08h52 - atualizada em 07/05/2019 ás 08h57

Moraes Filho

Xinguara / PA

A Venezuela entre um selvagem e um fantoche
E a ONU, que deveria estar à frente de negociações diplomáticas para encontrar uma saída pacífica está escondida.
A Venezuela entre um selvagem e um fantoche

Venhamos e convenhamos: a Venezuela, ou melhor, o pobre, o espoliado, sofrido, depauperado, sacrificado povo da Venezuela está entre um selvagem e um fantoche.


Está entre Nicolás Maduro, um selvagem, e Juan Guaidó, um fantoche dos interesses de países que não querem propriamente encontrar uma saída pacífica para a degenerada situação política que o País enfrenta, mas estimular a população a ingressar na aventura de uma guerra civil de consequências mais desastrosas ainda.


Maduro é um selvagem, um ditador, um irresponsável e um criminoso. Afundou o País na miséria. Cercou-se de uma horda de militares corruptos.


Vale-se de milícias assassinas como suporte adicional para sustentar-se no poder. Reprime adversários quaisquer que sejam – jornalistas, inclusive. Ignora a legitimidade do Poder Legislativo.


E manipula a seu bel-prazer um Judiciário que se conserva completamente encolhido, manietado, dominado, agrilhoado, apequenado e acovardado diante da ditadura travestida de governo democrático.


 E Guaidó?


É uma liderança política, sem dúvida.


 A maior liderança política da oposição.


 Mas de onde ele tirou essa ideia de autoproclamar-se presidente do país?


 Guaidó é o único presidente autoproclamado que não tem o que, tecnicamente, a linguagem diplomática chama de “controle de território”.


 Em português – de Portugal e do Brasil: Guaidó só tem efetivo controle sobre o território da casa dele. Só tem o controle da sala, dos quartos, da cozinha, dos banheiros e do quintal (se quintal houver).


Guaidó não tem poder nenhum. Absolutamente nenhum. Mesmo que tenha sido reconhecido por trocentos países – o Brasil entre eles – como “presidente autoproclamado” da Venezuela, ele não tem ninguém que obedeça a uma ordem sua.


Mesmo assim, Guaidó subordina-se a ações temerárias, como essa última, de dirigir-se a uma base militar com a pretensão de comandar, a partir de lá, uma tomada efetiva de poder com o apoio de militares. Não conseguiu. Porque apenas uma meia dúzia atendeu a seus apelos.


E aí? E aí que a atitude de Guaidó acirrou ainda mais a repressão, a brutalidade, a selvageria do governo Maduro, que não hesitou nem de acionar carros blindados contra populares desarmados. O certo é que, neste cenário tétrico, neste cenário trágico e devastador, observa-se a omissão - clamorosa, inadmissível e imoral - da ONU.


Não o Brasil.


Não a Colômbia.


Não a Argentina.


Não os Estados Unidos.


Não a Rússia.  


A ONU, ela sim, é que deveria estar à frente de negociações diplomáticas para encontrar uma saída pacífica na Venezuela.


 Mas está escondida.


A ONU mantém-se refém de sua inoperância.


Pobre Venezuela.


Pobre povo venezuelano.


 


 

FONTE: Do Blog do Espaço Aberto, com adaptações

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