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Política

15/05/2019 ás 20h42 - atualizada em 15/05/2019 ás 21h11

Moraes Filho

Xinguara / PA

Bolsonaro diz que manifestantes contra cortes na educação são idiotas úteis e massa de manobra
Nos EUA, presidente afirma que alunos são militantes usados como instrumento político de
Bolsonaro diz que manifestantes contra cortes na educação são idiotas úteis e massa de manobra

Ao chegar aos Estados Unidos nesta quarta-feira (15) Jair Bolsonaro afirmou que as manifestações que estão ocorrendo no país em defesa de recursos para a educação são feitas por “idiotas úteis”, classificados pelo presidente como “militantes” e “massa de manobra”.


Indagado sobre os protestos que acontecem nas capitais e grandes cidades do Brasil, o presidente disse que os alunos que estão nas ruas “não sabem nem a fórmula da água” e servem de instrumento político para “uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais”.


Protestos contra cortes na educação


“É natural [que haja protesto], agora a maioria ali é militante,  não tem nada na cabeça, se perguntar 7x8 pra ele, não sabe.  Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis, uns imbecis, que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo de muitas universidades federais no Brasil“, afirmou o presidente na porta do hotel onde está hospedado em Dallas.


Cercado de apoiadores, que gritavam “mito” enquanto concedia uma entrevista coletiva a jornalistas, Bolsonaro primeiro afirmou que não existe corte na educação para, em seguida, dizer que por causa da crise econômica e da arrecadação baixa foi preciso fazer o contingenciamento.


“Na verdade não existe corte, o que houve é um problema que a gente pegou o Brasil destruído economicamente também, com baixa nas arrecadações, afetando a previsão de quem fez o orçamento e, se não tiver esse contingenciamento, simplesmente entro contra a lei de responsabilidade fiscal. Então não tem jeito, tem que contingenciar”, declarou.


Os protestos (acompanhe aqui o minuto a minuto dos atos) são uma resposta à decisão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que reduziu o orçamento das universidades federais e bloqueou bolsas de pesquisa.


O presidente disse ainda que não gostaria de fazer nenhum contigenciamento, em especial na educação, mas afirmou que o setor está “deixando muito a desejar”.


“Gostaria que nada fosse contigenciado, em especial na educação. A educação também está deixando muito a desejar no Brasil. Se você pega as provas, que acontecem de três em três anos, está cada vez mais ladeira abaixo. A garotada, com 15 anos de idade, na nona série, 70% não sabe uma regra de três simples. Qual o futuro destas pessoas?”.


Na avaliação do presidente, a alta taxa de desemprego no país —cerca de 14 milhões de desempregados— vem da baixa qualificação dos trabalhadores. Bolsonaro afirmou que durante os governos do PT não havia preocupação com a educação.


                        


             Em Salvador, manifestação tem teatro, música e cartazes João Pedro Pitombo/Folhapress


PREFEITO DE NOVA YORK


Há semanas em disputa via imprensa e redes sociais com o prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, Bolsonaro disse nesta quarta que “um chefe do Executivo  municipal” não pode organizar “uma ação contra uma autoridade que representa a oitava economia do mundo”.


“Não é isso o que pensa a maioria do povo americano, a maioria dos nova-iorquinos”, disse o presidente.
“Também amo Nova York, pretendo, se o prefeito deixar o poder, que vai deixar brevemente, conhecer essa cidade que sempre foi um sonho meu”. Blasio, assim como outros políticos e ativistas nos EUA, protestaram contra a viagem de Bolsonaro a Nova York, onde ele seria homenageado com o prêmio Pessoa do Ano, concedido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA.


Por conta das manifestações e críticas de Blasio, o presidente desistiu de ir a Nova York e o Itamaraty articulou às pressas uma viagem a Dallas, no Texas.


Na agenda oficial de Bolsonaro há somente um encontro com o ex-presidente dos EUA George W. Bush, previsto para durar quinze minutos no escritório do americano na tarde desta quarta, e um almoço com empresários na quinta, onde o brasileiro receberá a homenagem.


Bush foi contemporâneo do ex-presidente Lula na Presidência e tinha boa relação com o petista. O ex-presidente dos EUA é hoje no Partido Republicano um dos nomes mais críticos ao presidente Donald Trump, com quem Bolsonaro quer manter um alinhamento automático em diversas áreas do governo.


Cortes na educação


                        


Em Curitiba, estudantes e professores se unem em ato contra medidas do governo Bolsonaro na área da educação Rodolfo Buhrer/10.mai.19/Reuters


Marina Dias


DALLAS


 

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO

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