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12/06/2019 ás 07h12 - atualizada em 16/06/2019 ás 17h53

Moraes Filho

Xinguara / PA

Ameaçado de morte, líder sindical é assassinado em Rio Maria
Carlos Cabral foi alvejado com 4 tiros, disparados por dois homens que estavam em uma moto.
Ameaçado de morte, líder sindical é assassinado em Rio Maria
Carlos Cabral era presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Rio Maria (STTR) e também era diretor da Central de Trabalhadores do Brasil (CTB/Pará) (Divulgação)

Carlos Cabral Pereira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Rio Maria e um dos diretores da Central de Trabalhadores do Brasil (STB), foi executado com quatro tiros na tarde desta terça-feira (11), na Avenida 22, Setor Planalto, naquela cidade. A Polícia Militar realiza buscas na região da Rodovia BR-155 no sentido de Redenção, direção que os pistoleiros fugiram.


Os matadores estavam em uma moto Honda Biz, preta, cuja placa não foi identificada e usavam capacetes escuros, segundo as primeiras informações colhidas pela Polícia Civil.


A princípio a polícia crer que os tiros provavelmente foram disparados de revólver calibre 38, pelo fato de que não foram encontradas cápsulas no chão, como acontece quando os disparos são de pistola. Cabral ainda chegou com vida no Hospital Municipal de Rio Maria, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.


De acordo com a Polícia Civil, em Belém, policiais civis do Núcleo de Apoio à Investigação de Redenção (NAI), da Delegacia de Conflitos Agrários de Redenção (DECA), da Superintendência Regional do Alto Xingu e da Delegacia de Xinguara foram deslocados ao município para dar suporte às investigações.


Em defesa dos trabalhadores rurais


Cabral teve sua vida inteira marcada pela luta em defesa dos trabalhadores rurais. Foi presidente várias vezes do STTR e sofreu várias tentativas de assassinato. Ele era ex-genro do também sindicalista João Canuto, morto na década de 80, num crime característico de conflitos fundiários, que provocou comoção nacional. Nessa mesma época Cabral também correu risco de morte, mas conseguiu escapar.


A família Canuto perdeu outros integrantes em emboscadas, como Paulo, José e Orlando Canuto, e virou um símbolo da luta pela reforma agrária e pela defesa e promoção dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais.


Fontes próximas do sindicalistas informaram que Cabral vinha recebendo ameaças de morte, por conta de sua atuação em área de invasão na região conhecida como Paredão, porém, não se intimidava e continuava sua luta.


"Nós vivemos em um estado marcado pela violência, sobretudo, na violência de conflitos agrários aqui no estado do Pará. Infelizmente Rio Maria é marcada como a terra da morte anunciada", comentou Cleber Rezende, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB Pará.


Cleber observou ainda que tem esperanças de ver o crime solucionado. "É um momento muito triste, é uma perda. A CTB Pará se coloca à disposição dos trabalhadores rurais em defesa da justiça, da paz e da segurança", destacou ele.


Em nota, o Diretório Municipal de Belém do Partido dos Trabalhadores (PT) disse que se solidariza com a família do sindicalista e exigiu o imediato esclarecimento do crime.


A Polícia segue investigando a morte mas até o fechamento desta edição ninguém foi preso.


SEGUE APÓS A MÍDIA


 


AMEAÇAS


Em janeiro de 2013, Carlos Cabral Pereira, denunciou às autoridades de Rio Maria que estaria sendo ameaçado de morte. Tudo teria começado quando, para provar sua inocência em uma acusação de desvio de verbas do sindicato, teve que denunciar membros da diretoria anterior, que foram condenados a devolver aos cofres públicos a importância de R$ 1 milhão.


Segundo Cabral, alguns membros da administração anterior do sindicato teriam lhe ameaçado, caso ele insistisse em ficar na presidência do sindicato. Cabral, na ocasião, procurou a Justiça de todas as formas, tendo protocolado documentos na Promotoria Estadual de Rio Maria, Delegacia de Polícia Civil de Rio Maria, e em todos os órgãos responsáveis pela Segurança Pública.


Desde 2001 seu nome constava em uma lista de “pessoas marcadas para morrer”, criada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura - CONTAG e a Comissão Pastoral da Terra - CPT do Pará.


 

FONTE: COM INFORMAÇÕES DE O LIBERAL E DOL

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