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Política

09/07/2019 ás 23h51

Moraes Filho

Xinguara / PA

Grupo de trabalho da Câmara rejeita prisão após condenação em 2ª instância
A rejeição é mais uma derrota de Moro no Congresso
Grupo de trabalho da Câmara rejeita prisão após condenação em 2ª instância
2.jul.2019 - O ministro Sergio Moro na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ)Imagem: Cláudio Reis/Estadão Conteúdo

O grupo de trabalho criado para analisar o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, rejeitou hoje a proposta que permitia o início da prisão após condenação em segunda instância judicial. A medida era a principal mudança do pacote que altera 16 trechos do Código Penal.


A rejeição é mais uma derrota de Moro no Congresso. Responsável pela condenação de dezenas de políticos na Lava Jato, o ministro tem enfrentado resistência para levar adiante seus planos. O revés mais recente foi a transferência do Coaf (Conselho de Conselho de Controle de Atividades Financeiras) da sua pasta para o Ministério da Economia. A mudança foi uma exigência de parlamentares para aprovarem a medida provisória que reduziu de 29 para 22 o número de ministérios.


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Na semana passada, o ministro teve de comparecer a uma audiência para falar sobre as supostas mensagens vazadas pelo site The Intercept Brasil. Durante a audiência, ele chegou a ser chamado de "ladrão" pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).


Por sete votos a seis, os parlamentares rejeitaram a intenção de Moro de tornar lei o atual entendimento do Supremo, que já permite o início da prisão após uma decisão colegiada. Mas, para a maioria dos membros do grupo esse tipo de alteração tem de ser feita por meio de uma proposta de emenda constitucional. Foram contra a manutenção da proposta os deputados Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Lafayette de Andrada (PRB-MG), Paulo Teixeira (PT-SP), Margarete Coelho (PP-PI), Orlando Silva (PCdoB-SP), Fábio Trad (PSD-MS) e Paulo Abi Ackel (PSDB-MG).


"A aprovação da matéria significaria uma aberração jurídica. Teríamos uma lei mudando uma cláusula da Constituição", afirmou Marcelo Freixo.


A favor, o relator da proposta, Capitão Augusto (PL-SP), e os deputados Coronel Chrisóstmo (PSL-RO), Adriana Ventura (Novo-SP), Subtenente Gonzaga (PDT-MG), Carla Zambelli (PSL-SP) e João Campos (PRB-GO). O relator chegou a argumentar que o Supremo Tribunal Federal (STF) já tinha jurisprudência sobre o tema, mas não conseguiu reverter o placar, antecipado pelo Estado em maio.


O deputado Coronel Chrisóstomo (PSL-RO) lamentou a derrota e disse que o grupo de trabalho "não ouviu o povo".


"Não estamos debatendo só no campo jurídico, mas estamos debatendo, ouvindo o clamor das ruas. Se fosse só jurídico, trazíamos juristas para cá e eles decidiriam. Nós estamos aqui representando o povo e ele está lá aguardando uma decisão nossa", afirmou o parlamentar do PSL.


A decisão de tirar a proposta de iniciar o cumprimento da prisão após a condenação da segunda instância do relatório do grupo de trabalho não significa que a medida de Moro foi terminantemente rejeitada na casa. Como o grupo não tem não tem caráter formal, a proposta pode voltar quando o pacote for discutido nas comissões ou no Plenário.


Em consequência do resultado da votação, o grupo do trabalho anunciou que vai encaminhar uma proposta de PEC que autorize o início do cumprimento de pena após condenação em segunda instância.


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ainda não decidiu se vai criar uma comissão especial para analisar a proposta ou levar as comissões permanentes para análise. Há a possibilidade ainda de Maia levar a proposta direto ao Plenário, mas o presidente da Câmara já deu sinais que não vai adotar a medida.


Renato Onofre Brasília - FOLHA DE SÃO PAULO

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