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27/01/2020 ás 08h58 - atualizada em 27/01/2020 ás 09h03

Moraes Filho

Xinguara / PA

Cooperativa mineira fecha 1ª exportação de café produzido só por mulheres
Com 6 mil associados, informa Ana Luísa, a Cocatrel é a cooperativa com maior número de mulheres do país: 1.300
Cooperativa mineira fecha 1ª exportação de café produzido só por mulheres
Adalgisa Miranda, produtora do grupo Cafeína, da Cocatrel – Foto: Arquivo pessoal

As mulheres começam a sair da invisibilidade na cafeicultura brasileira. Embora sempre tenham estado nas lavouras ao longo de mais de dois séculos, só recentemente elas passaram a ter protagonismo no setor. Em Minas Gerais – maior polo cafeeiro do país –, a Cocatrel (Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas) criou em março deste ano o grupo Cafeína, que há uma semana fechou a exportação da primeira carga de cafés especiais produzidos apenas por mãos femininas – um nicho que ganha força no mercado.


Os grãos da variedade arábica cultivados pelo Cafeína, formado por 150 cafeicultoras da região de Três Pontas, no sul de Minas, foi importado por uma empresa inglesa para ser vendido no mercado da Alemanha, segundo a coordenadora do grupo, Ana Luísa Leite. O anúncio do embarque de 320 sacas de 60 kg ocorreu em meio às comemorações do 15 de outubro, Dia Internacional da Mulher Rural.


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Com 6 mil associados, informa Ana Luísa, a Cocatrel é a cooperativa com maior número de mulheres do país: 1.300. O Cafeína, diz, surgiu com dois objetivos: segmentar a produção, a fim de potencializar o nicho de mercado feminino na cadeia cafeeira, e capacitar as cafeicultoras para que possam exercer todas as atividades no setor, desde o manejo com as plantações até a gestão das propriedades.


“Queremos ter as mulheres mais próximas para ouvi-las e informá-las, possibilitando que participem de cursos e outros eventos para que possam adotar boas práticas na cafeicultura”, ressalta a coordenadora do Cafeína. “Podem fazer parte do grupo tanta as cooperadas quanto suas filhas ou parentes”, esclarece Ana Luísa.



Delicadeza das mulheres tem reflexo na produção do grão – Foto: Adalgisa Miranda


Mãos leves e cuidadosas


Integrante do grupo, Adalgisa Miranda, de Três Pontas, acrescenta que a primeira exportação dos grãos especiais do Cafeína mostra o avanço da participação das mulheres no setor. Na cafeicultura há 34 anos, ela administra uma fazenda com 100 hectares, com 10 empregados e produção anual de cerca de 2 mil sacas.


“Estamos tomando a frente dos negócios e ganhando a preferência na contratação para trabalhar em algumas propriedades da região. Das pessoas que trabalham comigo, 50% são mulheres”, enfatiza. “Hoje, os homens já aceitam mais a nossa presença na cafeicultura.”


Adalgisa considera as mulheres mais aptas ao setor do que os homens. “Temos mãos mais leves para fazer o manejo do café na lavoura e na secagem no terreiro. Somos mais cuidadosas com a planta e, consequentemente, causamos menos perdas.” Isso, ressalta, também se reflete na qualidade do grão.


Empolgada com a primeira exportação do grupo, Adalgisa já está pensando na próxima. “Parece que já há interesse de outro importador”, comemora, elogiando a diretoria da Cocatrel pela iniciativa da criação do Cafeína. “O grupo é muito importante para qualificar as mulheres para participarem de todos os processos na propriedade.”


“A iniciativa do Cafeína mostrou um outro lado da cooperativa, incentivando a participação ativa das mulheres em tudo que realizamos e promovemos. Estou muito feliz com a repercussão do grupo não só no Brasil, como internacionalmente”, afirma, em nota, Marco Valério Araújo Brito, presidente da Cocatrel.



Mulheres se destacam na cafeicultura desde o trabalho no terreiro à gestão das propriedades – Foto: Cocatrel/Divulgação


Saiba mais


“O nome Cafeína, além de ser ligado ao café, partiu do princípio de que as mulheres do campo são fortes e com muita energia para transformar suas realidades.


Assim como a cafeína, composto químico que traz muitos benefícios à saúde, como disposição, foco, concentração, melhor desempenho físico e melhora do humor, as mulheres do Cafeína também têm energia de sobra para trabalhar, gerir e produzir cafés de muita qualidade.


O nome Cafeína é, ainda, uma brincadeira com a junção de expressões como cafeicultura feminina, café de menina, cafés de Minas. Tudo dá Cafeína.” (Da Ascom/Cocatrel)


 


 Da redação/AGROemDIA

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