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De onde surgiu a superstição da sexta-feira 13 e como a cultura pop a consolidou
A ideia de que a data é sinônimo de azar tem diferentes origens para diversas culturas. Alguns estudiosos defendem que o estigma é um fenômeno completamente moderno, divulgado pela mídia durante o século XX
Moraes Filho Xinguara - PA
Postada em 28/04/2018 ás 22h44 - atualizada em 28/04/2018 ás 22h54
De onde surgiu a superstição da sexta-feira 13 e como a cultura pop a consolidou

O extermínio da Ordem dos Cavaleiros Templários é um dos motivos considerados para justificar o

A superstição é bastante difundida: sexta-feira 13 é sinônimo de azar. Dia para se evitar passar por baixo de escadas, quebrar espelhos e outras crendices do tipo. Mas, a lenda não tem originalmente a ver com assassinos com serras elétricas, como vendem os filmes de terror no cinema. O estigma tem origens na numerologia, na cultura cristã, na mitologia nórdica e mesmo em acontecimentos da Idade Média. Há quem acredite, no entanto, que a superstição com a data é um fenômeno divulgado pela cultura pop a partir do século XX.


 Na numerologia, o número 13 significa inconstância, alternância entre o 1 e o 3, que são "rebeldes", e o 4, soma entre os dois, mais "conservador". No tarot, o arcano correspondente à carta 13 é "A Morte". A numerologia cristã considera o 12 como um número completo (12 tribos de Israel e 12 discípulos). A adição de mais um, seria, então, um sinal de infortúnio.


Na Santa Ceia, a chegada de Judas, o apóstolo traidor de Jesus, completa 13 pessoas em torno da mesa, o que ficou conhecido posteriormente como um mau agouro. No dia seguinte, uma sexta-feira, o Cristo foi crucificado. Judas morreu a seguir, em suposto suicídio. Segundo a tradição judaico-cristã, Eva teria oferecido o fruto proibido a Adão numa sexta-feira. O grande dilúvio teria começado no mesmo dia da semana.


A mesa com 13 pessoas também é um mal sinal na mitologia nórdica. O 13 virou número de desgraça após confusão em um banquete para 12 divindades no Valhalla, a morada celestial. O deus Loki, considerado símbolo da maldade para a crença, apareceu sem ser convidado e armou uma briga que resultou na morte de Balder, deus da justiça e da sabedoria. Ficou a superstição de que 13 pessoas junto a uma mesa era tragédia na certa.


A sexta-feira 13 também está relacionada à mitologia nórdica devido à deusa do amor, Freya. Segundo a lenda escandinava, a divindade sentiu-se abandonada após os nórdicos se converterem ao cristianismo. Por vingança, Freya teria passado a se reunir todas as sextas-feiras com 11 bruxas e um demônio (somando 13) para amaldiçoar os convertidos ao cristianismo, a chamada noite das bruxas. O nome friday, sexta-feira em inglês, veio, inclusive, em homenagem à deusa.


Há uma crença, impulsionada pelo livro O Código Da Vinci, de Dan Brown, de que, durante a Idade Média, um acontecimento serviu para perpetuar a superstição. No dia 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, os oficiais do rei Felipe IV da França realizaram prisões em massa, incomodado com o poder e a influência da Ordem dos Cavaleiros Templários (fundada durante as Cruzadas). Nos sete anos que se seguiram às prisões, centenas de templários sofreram torturas horríveis forçando “confissões” de crimes como heresia, blasfêmia, obscenidades, e práticas homossexuais. Mais de cem morreram sob tortura ou foram condenados a queimar na fogueira, mas nenhuma dessas acusações foi provada.



A franquia de filmes Sexta-Feira 13 colaborou para a difusão da superstição (Foto: Reprodução)


Sexta-Feira 13 na modernidade


Fundado em 13 de janeiro de 1882, Clube dos Treze foi uma associação que acabou por juntar as superstições com relação a sextas-feiras e o número 13. O Clube consistia em um grupo de homens determinados a desafiar superstições. Eles se encontravam sempre no dia 13 de cada mês, sentavam - os 13 - à mesa, quebravam espelhos, derrubavam saleiros extravagantemente e entravam no salão de jantar passando debaixo de uma escada. Em ocasiões que o dia 13 caia em uma sexta-feira, o grupo realizava "reuniões especiais", segundo reportagem do jornal Los Angeles Herald de 1895.


Em 1907, o corretor de ações Thomas Lawson escreveu o livro Sexta-Feira 13, que posteriormente influenciou outras produções com a mesma temática. O enredo do livro conta a história de um corretor de Wall Street que manipula o valor de ações para se vingar de seus inimigos, deixando-os na miséria. Depois disso, passou-se a interpretar a data como um dia de azar para realizar negócios. Devido à superstição, o preço das ações costuma cair na data.


Na década de 1980, surgiu a franquia de filmes Sexta-Feira 13, que já soma 12 produções e lucrou mais de 500 milhões de dólares. A popularidade de Sexta-Feira 13 influenciou também a criação de uma série de televisão batizada de Friday the 13th – The Legacy (Sexta-feira 13 - O Legado), entre 1987 e 1990. No Brasil, a série foi exibida com o nome de "Loja do Terror" entre 1988 e 1991 na Rede Globo.

FONTE: O POVO
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