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22/06/2018 ás 22h24

Moraes Filho

Xinguara / PA

Abandono é o maior medo da população de idosos
Perda dos vínculos acelera estados depressivos na terceira idade
Abandono é o maior medo da população de idosos
Ary Sousa/O Liberal

O medo da solidão é um dos problemas de idosos em todo o mundo. Desde os pré-idosos, que a Organização das Nações Unidas (ONU) localiza entre 55 e 64 anos, passando por idosos jovens (65 a 79) e idosos avançados (com mais de 80 anos), o receio do abandono é o maior temor da terceira idade, presente em 29% da população, segundo a pesquisa da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - São Paulo (SBGG-SP).


As preocupações com a incapacidade de enxergar ou se locomover, assim como com a possibilidade do desenvolvimento de doenças graves, ficam, respectivamente, em segundo e terceiro lugares de acordo com o mesmo levantamento, que coletou respostas de 2 mil homens e mulheres acima de 55 anos.


Anita Fernandes, 78 anos, vive no abrigo São Vicente de Paulo, em Belém e, apesar de não ter sido abandonada, acredita que esse seja um medo da maioria dos idosos. “O envelhecer não me traz medo, porque é um processo natural, mas o problema é que muita gente não quer estar com as pessoas idosas e isso parte, às vezes, até da própria família”, diz ela, que há oito anos mora no espaço.


“Eu não tenho família, mas tenho Deus e as pessoas que eu conheço por último, as do abrigo. Vim para cá quando a paraense, com quem morava há 29 anos, faleceu e eu não quis ficar sozinha em casa. As filhas dela até perguntaram se eu queria morar com elas, mas não quis. Preferi vir para o abrigo”, conta Anita, natural do Ceará.


Para ela, um dos pensamentos mais recorrentes de pessoas que envelhecem é, sem dúvida, a possibilidade de serem abandonadas. “Os familiares abandonam os idosos porque não querem lutar com eles, ajudá-los. O abandono é um processo de ingratidão. Isso não é brincadeira. É muito chato”, lamenta.


Presidente do abrigo São Vicente de Paulo, Sylvia de Paulo Cruz aponta que esse medo é constante em toda a população que passa a pensar em seu envelhecimento. De acordo com a voluntária, “o receio de como vai ser a vida futura, se vamos ter companhia da família, amparo e até o que comer quando ficarmos mais velhos, é uma realidade que todos nós vivenciamos”.


“No abrigo nós temos pessoas em situação de abandono. São pessoas que foram abandonadas pela família ou até que ainda tem laços consanguíneos, mas que estão inteiramente abandonadas. São famílias que deixaram seus idosos aqui. Nós também temos uma dificuldade muito grande em fazer com que esses laços sejam retomados”, esclarece.


De acordo com a psicóloga Eliana Reis, o abandono se torna ainda mais intenso “na era do egoísmo e do descartável que estamos vivendo”. Eliana salienta que a quebra do vínculo familiar e o aumento do número de idosos no Brasil é propulsor de demandas sociais e requer atenção até mesmo do poder público.


“Há uma expectativa muito grande do futuro do Brasil, que são os idosos. O país não está capacitado para abraçar essa causa. Os espaços públicos não estão adaptados com rampas, corrimão. Não temos profissionais preparados e capacitados para abraçar essa causa. O idoso é caro, é como uma criança, dispendioso e, para as famílias, é muito mais cômodo descartar, se livrar” pondera a especialista, salientando ainda que “a depressão em idosos é, muitas vezes, consequência da violência emocional que sofrem, o que inclui o abandono”. 

FONTE: O LIBERAL

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