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Polícia

29/08/2018 ás 07h36 - atualizada em 29/08/2018 ás 07h46

Moraes Filho

Xinguara / PA

Militares são recebidos a tiros em operação para encurralar Comando Vermelho no Rio
A região de São Gonçalo é uma das mais violentas do estado do Rio de Janeiro.
Militares são recebidos a tiros em operação para encurralar Comando Vermelho no Rio
Cerca de 2.800 militares participam da operação no complexo de favelas do Salgueiro

Luis Kawaguti / Do UOL, no


Agentes das Forças Armadas foram recebidos a tiros no início de operação realizada nesta quarta-feira (29) na principal base da facção criminosa Comando Vermelho na região metropolitana do Rio, o complexo de favelas do Salgueiro – situado em São Gonçalo, à beira da baía de Guanabara. Pelo menos um suspeito ficou ferido devido à troca de tiros com os militares.


A ação envolve 2.800 combatentes, dois navios de guerra, blindados e helicópteros e ocorre quatro dias após as Forças Armadas deixarem o Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, considerado o quartel-general da facção. Os militares haviam ficado na por pouco mais de quatro dias, em uma operação que deixou oito mortos (três militares e cinco suspeitos) em abrangeu também os complexos de favelas da Penha e da Maré.


A operação começou no fim da madrugada. Militares do 1º Distrito Naval usaram uma força tarefa naval composta por dois navios de guerra, 11 embarcações menores (entre elas uma lancha blindada tripulada por forças especiais), 300 militares e 12 policiais federais para cercar uma região de 61 quilômetros quadrados da Baía de Guanabara vizinha ao Complexo do Salgueiro.


O objetivo é evitar que membros do crime organizado fugissem em pequenos barcos e jet skis de uma operação terrestre lançada simultaneamente no complexo de favelas. Segundo o Comando Conjunto, uma força formada por 2.520 militares, blindados e veículos de transporte de tropas ocupou toda a região.


Diferente de ações anteriores, a operação desta quarta-feira tem núcleos de comando não só do Exército, mas também da Marinha e da Polícia Federal.


A região de São Gonçalo é uma das mais violentas do estado do Rio de Janeiro. Ela está na região administrativa da Polícia Militar (AISP 7) que registrou o terceiro maior número de homicídios em 2017 (406), atrás apenas de Nova Iguaçu (544) e Duque de Caxias (468), segundo dados do Instituto de Segurança Pública. Em relação a roubos de veículos, foi a área recordista do Rio de Janeiro, com 6.195 casos em um ano.


Crimes na Baía de Guanabara


Investigações da Polícia Civil mostraram que as principais facções criminosas do Rio vêm usando a Baía de Guanabara como rota para fugir de uma favela para outra durante operações policiais. As águas da baía também têm sido usadas para transportar armas e drogas entre favelas controladas por uma mesma facção, segundo o delegado da Polícia Civil Marcos Amim. O Comando Vermelho, por exemplo, controla o Salgueiro, em São Gonçalo e parte da Maré, na zona norte do Rio – ambas favelas que ficam à margem da Baía de Guanabara.


A Marinha está desenvolvendo um sistema de monitoramento da baía formado por radares e sensores que acionam forças especiais para abordar embarcações suspeitas e reprimir essa modalidade de crime. As Forças Armadas já haviam realizado grandes operações em São Gonçalo (no Complexo do Salgueiro e no vizinho Jardim Catarina) ao menos duas vezes desde o início da intervenção federal em fevereiro.


Em ambas as ações, em março e em julho, os militares foram recebidos a tiros por membros do Comando Vermelho. Além disso, a região vinha sendo alvo de patrulhamento constante dos militares desde julho.


São Gonçalo foi uma das áreas do Rio onde as Forças Armadas mais se envolveram em tiroteios durante a intervenção (quase 10 episódios), perdendo apenas para a Praça Seca (que teve quase 15 tiroteios). Até agora foram realizadas cerca de 20 operações de "cerco e investimento", as ações ostensivas das Forças Armadas em áreas dominadas pelo crime organizado. As ações são consideradas emergenciais e não visam resolver o problema estrutural da segurança pública, segundo o Comando Conjunto.


O órgão também está divulgando canais para que a população possa fazer denúncias anônimas. Eles são o telefone 21 2253-1177  e o e-mail ouvidoria.intervencao@cml.eb.mil.br. A intervenção estima que a operação desta quarta-feira abranja uma área habitada por cerca de 1 milhão de pessoas.

FONTE: UOL

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