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ARMAS: As farsas da legítima defesa e do que se votou no referendo de 2005

Nessa fantasia, temos, de um lado, o cidadão de bem e, de outro, o bandido

12/05/2019 15h39Atualizado há 1 ano
Por: Moraes Filho
Fonte: REINALDO AZEVEDO

Os farsantes mudaram o discurso. Antigamente, e o tempo é impreciso porque sempre foi uma conversa que circulou por aí, alegava-se que o porte de armas era necessário como política de segurança pública. E números ou de fontes duvidosas ou extraídos de lugar nenhum eram esgrimidos para evidenciar que a liberação das armas implicava uma redução dos índices de violência. Não dá mais para sustentar o insustentável. Os dados disponíveis apontam o contrário.

                        

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A FARSA DA LEGÍTIMA DEFESA
Então o discurso mudou. Agora, alega-se o "direito à autodefesa". Trata-se o que é, obviamente, uma política de segurança pública — OU DE INSEGURANÇA — como se fosse apenas uma questão individual, restrita à luta do bem contra o mal.

Nessa fantasia, temos, de um lado, o cidadão de bem e, de outro, o bandido. É o único confronto que se imagina. E, claro!, o lado bom vence. Reagir, como recomendam todas as políticas, à abordagem de criminosos é quase sempre a pior saída. Mas isso não diz tudo.

Essa leitura estúpida ignora que aumentará brutalmente a chance de confronto entre o "cidadão de bem" e um outro "cidadão de bem". Ambos armados. O motivo banal está na raiz de boa parte dos eventos com armas que terminam em tragédia,

A FARSA SOBRE O REFERENDO
Uma das alegações para a generalização do porte de armas pretendida por Bolsonaro é dar consequência àquela que teria sido a vontade dos brasileiros no referendo de 2005. O que se votou ali era a proibição ou não da venda legal de armas de fogo. E venceu o "não". E proibida ela não foi. Tanto é assim que o Estatuto do Desarmamento sempre permitiu a posse, ainda que impondo restrições bastante severas para a aquisição de armas — restrições estas que já foram relaxadas.

O referendo não indagou se as pessoas deveriam andar armadas nas ruas.

Quem insiste nessa questão está, por ignorância ou má-fé, confundindo a POSSE com o PORTE. Como lembro sempre, a Europa desenvolvida permite a posse de armas, com mais exigências ou menos a depender do país, mas proíbe o porte. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é semelhante ao dos EUA, com uma das legislações mais laxistas do mundo. Nos EUA, há cinco homicídios por 100 mil habitantes; nos países europeus, 1 ou menos de 1.

Onde é maior a chance de morrer à bala? Na Alemanha ou nos EUA? E que ninguém venha evocar a tradição mais pacifista ou menos de um povo ou de outro, não é mesmo?

 

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