Sexta, 30 de Outubro de 2020
Colunistas CRÔNICA

Crônica: Thriller policial

Meu coração batia acelerado, adrenalina a mil, minhas mãos suavam e nada do ladrão se descuidar e aparecer.

02/10/2020 23h32 Atualizada há 4 semanas
Por: Redação Integrada Fonte: Rodrigo Alves de Carvalho
Crônica: um gênero entre o jornalismo e a literatura
Crônica: um gênero entre o jornalismo e a literatura
Rodrigo Alves de Carvalho

Com minha arma em punho, olhava atento para todos os lados enquanto me abaixava atrás de um muro inacabado.

Sabia que o ladrão estava do outro lado da rua, também na espreita e esperando que eu tomasse a iniciativa de sair do meu esconderijo para me alvejar.

Meus colegas policiais estavam algumas casas abaixo, também esperando a oportunidade para tocaiar outros ladrões que esconderam naquele local.

Meu coração batia acelerado, adrenalina a mil, minhas mãos suavam e nada do ladrão se descuidar e aparecer.

A noite começava a chegar, a tênue luz alaranjada do sol ofuscava um pouco minha visão. Estávamos nessa caçada de gato e rato desde a tarde e até agora nada havia acontecido de fato, a não ser a certeza de que haviam três policiais na espreita e três ladrões prontos para contra-atacar.

Lembrei-me de minha mãe, devia estar preparando a janta, esperando seu filho voltar das ruas para um banho quente e tomar a sopa de fubá com costela de vaca que eu adorava.

Percebi certo movimento no outro lado da rua e avistei a cabeça do ladrão espiando para os lados. Respirei fundo. Era chegada a hora de sair.

Ouvi meu colega policial gritar:

- Tô cansado! Vou embora!

Distrai-me e o ladrão saiu do esconderijo, saquei a arma:

Bam! Bam! Bam!

 Tá morto! Tá morto! – Gritei contente.

O ladrão levantou os braços, balançando a cabeça:

- Não tô! Você errou! – E deu dois tiros em mim: Bam! Bam!

Meus colegas e os outros ladrões saíram dos esconderijos e vieram até nós:

Ganhamos! Ganhamos! – Gritamos, levantando nossas armas de madeira com gatilhos de prendedores de roupas.

Houve uma pequena discussão.

Não chegamos a um acordo de quem havia ganhado o confronto.

Cansado e fedendo suor, decidi ir embora para casa tomar um banho e depois me empanturrar com a sopa de fubá com costela de vaca que minha mãe tinha feito especialmente para mim.

No outro dia continuaríamos a brincadeira.

Rodrigo Alves de Carvalho nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores.

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