Sábado, 05 de Dezembro de 2020
Saúde VACINA

Mourão diz que estados poderão comprar vacina Coronavac 'por conta própria'

Já o presidente Bolsonaro disse que

22/10/2020 22h13 Atualizada há 1 mês
Por: Redação Integrada Fonte: Agência O Globo |
Foto: Isac Nóbrega
Foto: Isac Nóbrega

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro declarar que o governo federal não comprará doses da vacina Coronavac, testada no Brasil pelo Instituto Butantan, mesmo que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprove o imunizante contra a Covid-19, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou nesta quinta-feira que os estados poderão adquirir o produto por conta própria. As condições, segundo Mourão, é que haja certificação pela agência contra o novo coronavírus.

"Todo mundo pode comprar. O estado pode comprar, os estados né, eles tem recurso também. Desde que a Anvisa certifique. A Anvisa só vai certificar aquilo que está comprovadamente testado", declarou o vice-presidente em Brasília.

Depois que o Ministério da Saúde incluiu apenas a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford (Reino Unido) em parceria com a farmacêutica britânica AstraZeneca no calendário do Programa Nacional de Imunizações da pasta, governadores e parlamentares passaram a articular uma reunião com Pazuello para pressiona  pela inclusão da fórmula testada pelo Butantan, criada pelo laboratório chinês Sinovac Biotech, no cronograma de 2021.

Os dois imunizantes são considerados dois dos mais avançados do mundo em termos de ensaios clínicos. Antes da reunião entre o ministro da Saúde e governadores, na qual foi anunciado o acordo com o Instituto Butantan vetado no dia seguinte pelo presidente Bolsonaro, os dirigentes dos Executivos estaduais, secretários de Saúde e deputados e senadores cogitavam a organização de estados por meio de consórcios para a aquisição da Coronavac, caso sua eficácia e segurança seja comprovada e o governo federal não adquira doses.

Politização 'é problema'

Hoje, Mourão declarou que a politização da vacina é "um problema", sem mencionar Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que trocaram críticas na última quarta-feira. Enquanto o presidente acusou o dirigente paulista de usar a população como "cobaia" pelas redes sociais, Doria afirmou que Bolsonaro apresenta um comportamento "obsessivo" de olho na reeleição em 2022.

O vice-presidente pediu ainda "calma" na abordagem do tema quando indagado sobre os riscos de judicialização do tema. Na última quarta-feira, o partido Rede Sustentabilidade entrou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando que o governo federal seja obrigado a assinar o protocolo de intenções sustado por Bolsonaro após pressão de apoiadores.

"Acho que há muita especulação em cima disso. Ontem, a posição correta o Ministério da Saúde já colocou. O diretor da Anvisa também já colocou. Qualquer vacina que esteja comprovadamente testada e certificada pela Anvisa estará a disposição para ser adquirido", disse o vice-presidente.

Ontem, contrariando declarações do próprio ministro, o Ministério da Saúde informou que Pazuello não sinalizou qualquer compromisso de compra e que suas palavras foram distorcidas. Em reunião com governadores, que pressionavam pela inclusão da CoronaVac, o ministro foi explícito quanto à sinalização de compra:

"Nós já fizemos uma carta em resposta ao ofício do (Instituto) Butantan e essa carta é o compromisso da aquisição dessas vacinas que serão fabricadas até o início de janeiro, em torno de 46 milhões de doses, e essas vacinas servirão para nós iniciarmos a vacinação ainda em janeiro. Essa é a nossa grande novidade, isso reequilibra o processo".

Já na noite de quarta-feira, em entrevista à rádio Joven Pan, Bolsonaro voltou a atacar a Coronavac e criticou sua origem chinesa. O presidente afirmou que existe um "descrédito muito grande" em relação ao imunizante, sem detalhar suas ressalvas, e que por isso o governo federal não comprará doses do imunizante mesmo que ele seja aprovado pela Anvisa.

"A da China nós não compraremos, é decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população [inaudível]. Esse é o pensamento nosso. Tenho certeza que outras vacinas que estão em estudo poderão ser comprovadas cientificamente, não sei quando, pode durar anos", disse. "A China, lamentavelmente, já existe um descrédito muito grande por parte da população, até porque, como muitos dizem, esse vírus teria nascido por lá".

Bolsonaro disse ainda que Pazuello se "precipitou" ao assinar o protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da Coronavac e disse que deveria ter sido avisado antes da decisão ser tomada. Contrariando rumores de uma fritura pública do ministro, fez elogios ao subordinado.

"Eu sou militar, o Pazuello também o é, e nós sabemos que quando um chefe decide, o subordinado cumpre. Ele, no meu entender, houve uma certa precipitação em assinar esse protocolo. É uma decisão tão importante, e eu deveria ser informado", disse, acrescentando: "Conversei há pouco no zap com o Pazuello, sem problema nenhum, meu amigo de muito tempo, ele continuará ministro. E eu digo mais: ele é um dos melhores ministros da Saúde que o Brasil já teve nos últimos anos".

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