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Saúde CONTAMINAÇÃO

Índios Munduruku estão contaminados por mercúrio de garimpo ilegal no Pará

De acordo com a Fiocruz, foram detectados níveis de mercúrio em todos os participantes, sem exceção – adultos, crianças e idosos.

26/11/2020 10h42 Atualizada há 2 meses
Por: Redação Integrada Fonte: Portal Santarém
Coleta de dados, segundo a Fiocruz, ocorreu nas aldeias Sawré Muybu, Poxo Muybu e Sawré Aboy
Coleta de dados, segundo a Fiocruz, ocorreu nas aldeias Sawré Muybu, Poxo Muybu e Sawré Aboy

Um estudo realizado pela WWF-Brasil e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) comprovou a contaminação de índios Munduruku, por mercúrio de garimpo ilegal, na bacia do rio Tapajós, no Estado do Pará.

O estudo avaliou os impactos da contaminação por mercúrio em 200 habitantes de três aldeias na Terra Indígena (TI) Sawré Muybu, que é de ocupação tradicional do povo Munduruku, nos municípios de Itaituba e Trairão, no médio rio Tapajós.

Em Nota Técnica, a Fiocruz revelou que a contaminação por mercúrio decorrente da atividade mineradora de pequena escala (garimpo) produz graves impactos ao meio ambiente e a saúde humana.

“Essa substância tóxica é amplamente utilizada na extração de ouro, com o objetivo de separar o metal precioso dos sedimentos, durante a mineração. Após sua liberação no ambiente, o mercúrio sofre diversas transformações químicas e é incorporado na cadeia alimentar, atingindo assim os seres humanos e podendo causar além de problemas neurológicos sensitivos e motores, outras enfermidades graves. Na Amazônia, onde o garimpo tem avançado de forma pronunciada, a contaminação por mercúrio provoca impacto relevante na saúde dos povos indígenas, que têm nos peixes um elemento indispensável de sua dieta”, informou, em nota, a Fiocruz.

A coleta de dados, segundo a Fiocruz, ocorreu entre 29 de outubro e 9 de novembro de 2019, em três aldeias impactadas pelo garimpo: Sawré Muybu, Poxo Muybu e Sawré Aboy.

Os resultados apontaram evidências claras dos efeitos deletérios da contaminação por mercúrio nas três aldeias Munduruku, e indicam que a atividade garimpeira vem promovendo alterações de grande escala no uso do solo nos territórios tradicionais da Amazônia, com impactos socioambientais diretos e indiretos para as populações locais, incluindo prejuízos à segurança alimentar, à economia local, à saúde das pessoas e aos serviços ecossistêmicos.

A coleta de dados incluiu entrevistas, avaliação clínico-laboratorial, coleta de amostras de cabelo e coleta de amostras de peixes para aferição dos níveis de mercúrio. De acordo com a Fiocruz, foram detectados níveis de mercúrio em todos os participantes, sem exceção – adultos, crianças e idosos. Em geral, níveis de mercúrio acima de limites seguros foram detectados em 6 a cada 10 participantes (57,9%).

“Os níveis de contaminação são maiores nas áreas mais impactadas pela ação do garimpo. Na aldeia às margens do rio mais afetado pelas atividades garimpeiras, 9 em cada 10 participantes apresentaram alto nível de contaminação. Nove (15,8%), em um total de 57 crianças menores de 5 anos avaliadas, apresentaram problemas nos testes de neurodesenvolvimento”, informou a Fundação.

ANÁLISE DO PESCADO

A análise do pescado, segundo a Fiocruz, revelou a presença de mercúrio em todas as amostras coletadas e mostrou que as espécies piscívoras apresentaram os níveis mais altos de contaminação, acima do limite de 0,5 µg.g-1 recomendado pela FAO/WHO para consumo do pescado.

“As doses de ingestão diária de mercúrio estimadas para os participantes, de acordo com 5 espécies de peixes piscívoros amostrados, foram 4 a 18 vezes superiores aos limites seguros preconizados pela Agência de Proteção Ambiental Norte-Americana (EPA).

Apresentamos uma série de recomendações, incluindo a interrupção imediata do garimpo em Terras Indígenas, um plano para descontinuar o uso de mercúrio no garimpo, assim como um plano de manejo de risco para as populações cronicamente expostas ao mercúrio”, destacou a Fiocruz.

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