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Política CRESCIMENTO

Com 211 prefeitos eleitos, Republicanos ganha espaço entre os partidos de direita

Os prefeitos eleitos pelo partido superam, por exemplo, os 183 vitoriosos do PT. Foi um ganho de mais de cem prefeituras.

03/12/2020 15h06 Atualizada há 1 mês
Por: Redação Integrada Fonte: Estadão Conteúdo
Presidente do Republicanos, o pastor Marcos Pereira projeta um crescimento da bancada federal do partido em 2022.| Foto: Douglas Gomes/Republicanos
Presidente do Republicanos, o pastor Marcos Pereira projeta um crescimento da bancada federal do partido em 2022.| Foto: Douglas Gomes/Republicanos

O xadrez partidário nacional tem uma nova força na direita. Com 211 prefeitos eleitos neste ano, o Republicanos entrou na lista dos dez maiores partidos do país, sendo o mais conservador deles. Das grandes cidades, o partido vai governar Vitória, Campinas e Sorocaba, todas conquistadas no segundo turno, mas já havia expandido sua atuação como força eleitoral com conquistas no primeiro turno em pequenos e médios municípios, tendo ainda 2.572 vereadores que podem facilitar seu plano de fundo: ampliar a bancada federal no Congresso em 2022.

Já no primeiro mandato como deputado, o presidente do partido, Marcos Pereira (SP), chegou ao cargo de vice-presidente da Câmara e agora almeja suceder ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A eleição interna do Congresso é o próximo tabuleiro da política.

Os prefeitos eleitos pelo partido superam, por exemplo, os 183 vitoriosos do PT. Foi um ganho de mais de cem prefeituras. Em 2016, haviam sido 106 eleitos, então pelo PRB, nome antigo da legenda. Nas duas primeiras eleições municipais, o Republicanos elegeu 54 prefeitos em 2008 e 80 em 2012.

Sem amarras ideológicas e com apetite por espaços no governo, o Republicanos apoiou os últimos três presidentes da RepúblicaLuiz Inácio Lula da Silva (PT), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB). Atualmente abriga, ainda que "de passagem", dois dos filhos parlamentares de Jair Bolsonaro: o vereador no Rio Carlos Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (RJ).

Na bolsa de apostas, é um dos partidos aos quais o presidente pode escolher se filiar para a reeleição em 2022. Diferentemente do fracassado plano de criar o Aliança pelo Brasil, no Republicanos o clã Bolsonaro não teria o controle de verbas, nem poder de vetos, avisou a cúpula da legenda, vacinada pelas brigas que o presidente e seus filhos causaram no PSL. O partido não tem, no momento, plano de disputar o Palácio do Planalto com candidato próprio daqui a dois anos.

Como surgiu o Republicanos e a ligação com a Igreja Universal

O Republicanos foi criado há 15 anos com incentivo de líderes evangélicos. O partido surgiu em 2003, tendo como maior nome o ex-vice-presidente José Alencar. À época, o nome era Partido Municipalista Renovador, abandonado em 2005, ano em que a Justiça Eleitoral concedeu o registro definitivo.

O PRB, Partido Republicano Brasileiro, durou até 2019, quando ganhou uma nova roupagem, numa tentativa de deixar para trás a imagem de um partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e que apoiou governos indiscriminadamente em troca de cargos.

Desde 2011, a legenda é dirigida por Pereira, bispo licenciado da Igreja Universal e ex-diretor da Record TV. Ele profissionalizou a estrutura, ergueu uma sede em Brasília e lançou uma faculdade própria voltada à formação política. Dedicou-se por anos apenas ao comando da sigla. Procurou moderação e montou uma estrutura própria de comunicação. Abriu cada vez mais espaço a políticos de fora da Universal, alguns progressistas e não necessariamente evangélicos, superando uma atuação meramente religiosa.

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Bancada forte na Câmara

O crescimento contínuo do Republicanos verificado nas eleições municipais também se repete na Câmara dos Deputados, em Brasília. Hoje, o partido tem a sétima maior bancada, com 32 integrantes. A maioria se diz independente, alguns são notórios bolsonaristas, mas nas contas finais o partido vota 90% a favor das pautas do Planalto.

Desde a primeira eleição geral em 2006, o Republicanos passou de um eleito apenas para oito em 2010, 21 em 2014 e 30 em 2018. Essas duas eleições, a de prefeitos e deputados federais, têm uma correlação direta, segundo estudiosos do sistema político brasileiro.

O cientista político Sérgio Praça, da Fundação Getúlio Vargas, considera que o Republicanos está "bem encaminhado" para crescer novamente em 2022. "Está provado cientificamente que quanto mais vereadores e prefeitos melhor é sua eleição para a Câmara dois anos depois. Os prefeitos recebem emendas dos deputados, e em troca fazem campanhas para eles”, diz Praça.

“Se prestarmos atenção demais no desempenho deles em São Paulo e no Rio perdemos tendências mais profundas desta eleição. Os Republicanos têm dois filhos do presidente filiados e o apoio de campanha da Universal, isso dá uma força que nenhum outro partido possui. Eles são identificados com a agenda legislativa moral do bolsonarismo.”

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