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Política POLÍTICA

Lula ataca Bolsonaro e cobra sociedade: Ou povo reage, ou terá coisa pior

O petista lembrou também de Paulo Guedes e questionou a política de privatizações defendida pelo ministro

10/02/2021 23h01
Por: Redação Integrada Fonte: Do UOL, em São Paulo
Lula defendeu articulação popular para derrotar BolsonaroImagem: Reprodução/YouTube
Lula defendeu articulação popular para derrotar BolsonaroImagem: Reprodução/YouTube

O ex-presidente Lula usou seu discurso de hoje no evento on-line de comemoração aos 41 anos do PT (Partido dos Trabalhadores) para atacar o governo de Jair Bolsonaro e cobrar ações do partido e da sociedade.

Lula disse que Bolsonaro só "pensa nele e na família dele" e fez inúmeras críticas a medidas aprovadas e defendidas pelo atual presidente, como a condução do combate à pandemia de covid-19. "O presidente e sua gente continuam tentando brincar com a saúde do nosso povo, mantendo no Ministério da Saúde um ministro que não entende nada de saúde", afirmou.

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O petista lembrou também de Paulo Guedes e questionou a política de privatizações defendida pelo ministro. "Eles são de uma geração que ganha as eleições não para governar, eles ganham as eleições para vender o patrimônio que foi construído em benefício do povo brasileiro", disse, questionando ainda da aprovação do projeto de autonomia do Banco Central.

Lula instou os petistas a defenderem mudanças com apoio popular: "Nós precisamos despertar o povo dessa anestesia coletiva que a sociedade foi tomada". "Ou esse povo reage, ou esse povo vai ser vítima de coisas muito piores", completou.

Também discursaram no evento o ex-candidato à presidência e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, a ex-presidente Dilma Rousseff e a deputada federal pelo Paraná e presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann.

Haddad relembrou a contestação da vitória de Dilma nas eleições de 2014 e o posterior impeachment e afirmou que "o pesadelo que o Brasil vive hoje decorre deste gesto". Ele falou antes de Lula, mas fez eco às reivindicações dele da necessidade de uma mobilização popular para se opor à política bolsonarista. "Nós temos que derrotar a cada dia esse projeto genocida que está no poder", disse.

Gleisi também se dedicou a criticar o governo Bolsonaro e atacou a operação Lava Jato: "O país está sendo governado por alguém que tem o objetivo de destruir e trata esse objetivo como uma verdadeira missão. A Lava Jato está diretamente relacionada a todas as tragédias nacionais".

Frente ampla em 2022

A possibilidade de união entre partidos de esquerda para derrotar Bolsonaro nas eleições de 2022 foi tema recorrente nos discursos da noite. "O PT deve dedicar o melhor de seus esforços para articular uma grande aliança de esquerda", defendeu a ex-presidente Dilma Rousseff.

"Nós sabemos que ninguém chegará sozinho ao grande objetivo de resgatar a esperança e a democracia no Brasil", definiu Gleisi Hoffmann, mencionando nomes que vêm sendo considerados para as próximas eleições, como Guilherme Boulos, do PSOL, Flávio Dino, do PCdoB e Ciro Gomes, do PDT.

As duas, porém, reivindicaram o protagonismo petista na aliança. Para Dilma, "é natural que o PT participe e busque exercer um papel proporcional à sua relevância". "É natural que o PT lute pela eleição de Lula", completou a ex-presidente.

Candidatura de Lula

O nome de Lula ainda é defendido como candidato do partido em 2022. O ex-presidente, no entanto, está inelegível devido à Lei da Ficha Limpa, uma vez que foi condenado em segunda instância pelos casos do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. Ele ainda recorre das decisões e um hc (habeas corpus) referente ao caso do Guarujá pode ser julgado ainda este semestre no STF (Supremo Tribunal Federal).

A defesa da anulação das condenações de Lula e a consequente restituição dos direitos políticos do ex-presidente é uma das principais pautas do partido e, portanto, esteve presente nos discursos da noite. "Não haverá justiça nesse país enquanto não for anulada e reparada a brutal perseguição de que Lula foi alvo", afirmou Dilma Rousseff.

Gleisi, porém, indicou que o partido já trabalha com um plano B ao afirmar que "o PT não pode e não vai esperar que reconheçam os direitos que jamais poderiam ter sido roubados para colocar o bloco na rua". "Você, Fernando Haddad, tem o passaporte na sociedade e a legitimidade para cumprir esse papel", completou a deputada.

Sobre sua candidatura, Lula não foi explícito, mas disse que pretende passar toda a sua vida lutando pelo direito dos trabalhadores brasileiros.

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