Sábado, 17 de Abril de 2021 (94) 99153-9530
Política COBRANÇA

A cobrança voltou: cadê os barões das multinacionais que sugam o Pará? Vão ajudar ou não?

É o mínimo dos mínimos que poderiam fazer pela população, investindo na própria imagem institucional e valorizando a tão decantada política de responsabilidade social que alardeiam em seus sites corporativos.

22/03/2021 12h50
Por: Redação Integrada Fonte: DO BLOG VER-O-FATO
A cobrança voltou: cadê os barões das multinacionais que sugam o Pará? Vão ajudar ou não?

É preciso e urgente voltar ao tema que, na última quarta-feira, 17 foi editorial do Ver-Fato, que obteve mais de 56 mil acessos em todas as nossas plataformas digitais, repercutindo intensamente dentro e fora do Pará – leia, aqui, https://ver-o-fato.com.br/editorial-chega-de-contar-bilhoes-o-povo-do-para-cobra-ajuda-das-gigantes-que-nos-exploram/

Nesses últimos cinco dias, a partir da publicação do editorial, não se viu o menor gesto ou atitude, nenhuma manifestação das corporações gigantescas que exploram as riquezas minerais, o solo e a diversidade do Pará em seus programas de desenvolvimento e progresso de seus oligopólios, deixando por aqui, além de um cenário de terra ambiental e social arrasados, investimentos pífios, ridículos.

Esses grupos não se sentem comprometidos e não parecem nenhum pouco empenhados em ajudar o povo paraense, que vive momentos de desespero diante da pandemia de Covid. Belém e sua Região Metropolitana estão praticamente sitiadas, enquanto pessoas morrem por falta de leitos hospitalares e UTIs.

É uma guerra pela sobrevivência, solitária, onde chegamos ao limite de decidir, nas filas de extrema prioridade da internação, quem deve viver ou morrer. O sistema de saúde, colapsado, pede socorro. Além disso, centenas de milhares de famílias em todas as regiões do estado, passam fome, não podem trabalhar e, em razão de decretos necessários para preservar vidas, necessitam ficar dentro de casa, o que muitos se recusam a fazer.

Voltamos à estaca zero.

O Ver-o-Fato lançou a ideia emergencial e sugeriu que essas gigantes do capitalismo mundial aqui instaladas, rompessem suas bolhas de ostentação e prosperidade financeira e construíssem, doando à prefeitura de Belém, Ananindeua – o que beneficiaria toda a Região Metropolitana – quatro grandes Hospitais de Campanha, dotados de leitos dignos, UTIs, medicamentos e pessoal suficiente para atender aos doentes.

É o mínimo dos mínimos que poderiam fazer pela população, investindo na própria imagem institucional e valorizando a tão decantada política de responsabilidade social que alardeiam em seus sites corporativos.

A sugestão entrou por um ouvido e saiu pelo outro. É abuso, petulância – devem pensar – o Ver-o-Fato querer pautá-los ou escrever o que eles devem ou não fazer pelo Pará, já que alegam que fazem muito, deixando serviços, compras, terceirizações, com empresas locais. Não pautamos ninguém. Apenas cobramos responsabilidades de quem deve assumi-las e não esconder-se nos refúgios da covardia.

Chegamos ao ponto.

A pergunta é a seguinte: onde estão, nesse momento, as grandes corporações multinacionais que se servem do Pará sem servir ao Pará? Cadê a Vale? Cadê as gigantes do alumínio, Albrás e Alunorte e seus barões do capitalismo norueguês, a Norks Hydro? E as gigantes de alimentos Cargill, Bunge, com os dois pés aqui fincados? E a Alcoa, a Mineração Rio do Norte, a Imerys Rio Capim, o pessoal da cadeia do dendê, como a Agropalma?

E o Grupo Santa Bárbara, com seus milhões de cabeça de gado e fazendas em terras do sul do estado, além dos grandes frigoríficos da J&F, que exportam toda a carne e deixam aqui apenas o rebutalho nos supermercados? Cabe também perguntar, o que fazem grandes bancos como Itaú, Bradesco, e multinacionais como Shell, Atlantic, Coca-Cola, Sadia?

Por que são saem de suas bolhas de prosperidade e se abrem no mutirão de solidariedade em favor do Pará? Será que só servem para contar seus bilhões de dólares, euros e reais, dividir lucros entre acionistas e festejar balanços financeiros? Cadê a responsabilidade social desses grupos?

A vida não é só dinheiro. É algo muito além disso. Envolve princípios, respeito a um povo, dignidade humana. É do esforço comum que as sociedades evoluem.

Diante do que se vê, com o agravamento dos casos e gente sem atendimento médico, hospitais superlotados, famílias desamparadas, por que essas grandes empresas não montam com urgência quatro Hospitais de Campanha, inclusive com UTIs – três em Belém e uma em Ananindeua – dotados de todas as condições, equipamentos, pessoal, medicamentos? É a sugestão do Ver-o-Fato.

Óbvio que nisso contam com o silêncio da Fiepa – a Federação das Indústrias do Pará e de suas associações correlatas, também deitadas no berço esplêndido do próprio comodismo. O que, venhamos e convenhamos, chega a ser ridículo e vergonhoso.

Mas as multinacionais, acima do bem, do mal, do próprio Pará e do sofrimento de seu povo, colocam-se em posição divina e superior e ignoram os apelos. Não estão nem aí. É o jogo delas. Não nos devem satisfações. Contam com as boas graças de governos e suas isenções fiscais, não pagam impostos pelos buracos colossais que deixam como cicatrizes indeléveis.

Buracos, aliás, vistos até de Estação Espacial Internacional, sobre Carajás. Sintomático.

É o buraco onde enfiaram o povo do Pará.

Sem ajuda e ao Deus-dará.

Intolerável.

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
PAINEL POLÍTICO
Sobre PAINEL POLÍTICO
ARTIGO
Anúncio
Anúncio
Ele1 - Criar site de notícias