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Saúde Sequelas da covid-19

As sequelas da covid são variáveis e podem durar semanas ou meses

Nunca vi epidemia de um vírus esquisito como esse. A variedade de quadros clínicos é enorme

08/04/2021 10h24 Atualizada há 1 semana
Por: Redação Integrada Fonte: Drauzio Varella
Drauzio Varella. Foto: Revista Capital Econômico
Drauzio Varella. Foto: Revista Capital Econômico

Cerca de 40% dos infectados permanecem assintomáticos; outros 40% desenvolvem sintomas leves semelhantes aos das viroses respiratórias corriqueiras, ou aos das gripes fortes que nos jogam na cama. Em ambos os casos, regridem espontaneamente em duas ou três semanas.

Veja também: Artigo do dr. Drauzio sobre os mistérios do novo coronavírus

O perigo corre por conta dos outros 20%, que exigirão internação hospitalar e até ventilação mecânica em unidades de terapia intensiva. Nessas eventualidades, a fase de recuperação passa de um mês.

Começamos a aprender, no entanto, que mesmo naqueles com poucos sintomas e evolução benigna, a doença pode causar complicações tardias que se arrastam por semanas.

Um estudo publicado no “Morbidity Mortality Weekly Report”, dos Estados Unidos, mostrou que 14 a 21 dias depois do diagnóstico de covid, 35% dos pacientes se queixavam de não ter voltado às condições de saúde de antes.

No Reino Unido, o UK COVID Symptom Study revelou que 10% relataram sintomatologia persistente por mais de três semanas. Os resultados foram publicados no “British Medical Journal”.

A simples possibilidade de ser infectado provoca ansiedade, depressão, estresse, solidão, isolamento social, insônia, quebra da rotina diária, estresse pós-traumático.

Os três sintomas mais comuns, nesses casos, foram tosse seca, febre baixa e fadiga, que evoluíram com períodos de remissão e de reagudização, durante semanas ou meses.

Fôlego curto, dores no tórax, cefaleia, dificuldades neurocognitivas, dores musculares, fraqueza, alterações gastrointestinais, lesões dermatológicas, dificuldade para controlar diabetestrombosesembolias pulmonaresdepressãoansiedade e outros transtornos psiquiátricos, tiveram frequência variável.

Sintoma comum na fase aguda, a sensação de fôlego curto pode durar mais de duas semanas. A recomendação é controlar a oxigenação do sangue com os oxímetros, dispositivos simples de usar à venda em farmácias e disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde. Colocado na ponta do dedo, o oxímetro mede a saturação de oxigênio na corrente sanguínea. Valores de 95% ou mais, são considerados adequados; abaixo desse número, há necessidade de avaliação médica e suplementação de oxigênio.

OXÍMETRO. FOTO: ARUN SANKAR/AFP

Manifestações cardiopulmonares estão presentes em pelo menos 20% dos pacientes hospitalizados. As mais comuns costumam ser miocardites, pericardites, infartos do miocárdio, embolias pulmonares, insuficiência cardíaca e arritmias. São mais prevalentes, quando existe doença cardiopulmonar prévia.

O vírus pode induzir um estado de hipercoagulabilidade sanguínea causadora de tromboses, embolias pulmonares e AVCs isquêmicos.

Sequelas neurológicas são mais raras. Entre elas, tonturas, fadiga, convulsões, neuropatias e a sensação descrita como “lentidão de raciocínio”.

A simples possibilidade de ser infectado provoca ansiedade, depressão, estresse, solidão, isolamento social, insônia, quebra da rotina diária, estresse pós-traumático. Nas pessoas que ficaram doentes, esses transtornos se tornam mais evidentes e duradouros.

Definitivamente, a covid-19 não é uma gripezinha.

DRAUZIO VARELLA

Médico cancerologista, foi um dos pioneiros no tratamento da AIDS no Brasil. Entre outras obras, é autor de "Estação Carandiru", livro vencedor do Prêmio Jabuti 2000 na categoria não-ficção, adaptado para o cinema em 2003.

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