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Saúde PANDEMIA

Alta mortalidade materna por coronavírus no país acende alerta do Observatório Covid-19

O boletim mostra que as gestantes e puérperas vêm despontando como grupo preocupante, devido a evolução dos casos de morte materna a níveis extremamente elevados.

05/06/2021 00h26
Por: Redação Integrada Fonte: Com informações do R7
Alta mortalidade materna por coronavírus no país acende alerta do Observatório Covid-19 - Crédito: Ilustrativa/Freepik
Alta mortalidade materna por coronavírus no país acende alerta do Observatório Covid-19 - Crédito: Ilustrativa/Freepik

Divulgado nesta sexta-feira, 4, o boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz, revelou uma tendência de crescimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 12 estados, além do Distrito Federal. O boletim avaliou casos apresentados no período de 23 a 29 de maio. Todas as regiões mostraram indicadores preocupantes, principalmente os estados localizado na região Sul e Centro-Oeste do país. Cerca de 96% dos casos de SRAG são provenientes do novo coronavírus.

Segundo o documento, a mortalidade materna por covid-19 é um outro destaque. O boletim mostra que as gestantes e puérperas vêm despontando como grupo preocupante, devido a evolução dos casos de morte materna a níveis extremamente elevados. O Brasil aparece como país que possui o maior número de óbitos e também uma assustadora taxa de letalidade de 7,2%, ou seja, mais que o dobro da taxa de letalidade atual do país, que é de 2,8%.

De acordo com um estudo referente a pandemia nas Américas, publicado em maio deste ano pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), analisou que entre janeiro e abril deste ano houve um aumento de casos em gestantes e puérperas, e também de óbitos maternos por conta do coronavírus em 12 países.

Formas graves

Ainda e acordo com os especialistas, eles alertam para o fato de que as gestantes podem evoluir para formas graves da doença, apresentando uma descompensação respiratória. Em especial, aquelas que já se encontram em torno de 32 ou 33 semanas de gestação. Em muitos destes casos, há necessidade do parto ser antecipado.

Esse quadro traz um aumento na procura por leitos de UTI adulto para essas mulheres e também de leitos de UTI neonatal para os recém-nascidos, que podem até ser prematuros. Ainda de acordo com os pesquisadores ambos precisam de cuidados especializados e imediatos.

Número de mortes

Conforme dados do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19), os óbitos maternos em 2021 já ultrapassaram os números notificados em 2020. Em 2020, foram 544 óbitos em gestantes e puérperas por covid no país, com média semanal de 12,1 óbitos, isso considerando que a pandemia se estendeu por 45 semanas epidemiológicas nesse ano. Até o dia 26 de maio deste ano, transcorridas 20 semanas epidemiológicas, o país registrou 911 óbitos, com média semanal de 47,9 óbitos, mostrando um aumento preocupante.

Ainda de acordo com o Observatório Covid-19 Fiocruz, com a proximidade do inverno, o atual cenário da pandemia pode se exacerbar, trazendo à tona casos mais graves da doença e maior ocorrência de outras doenças respiratórias, que também podem precisar de leitos hospitalares.

Casos entre jovens

Para os pesquisadores existe uma mudança no perfil demográfico da pandemia, que tem registrado um aumento expressivo de casos, internações e óbitos nas gerações mais jovens.

De acordo com o cenário atual, todos os estados das regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste, e a maior parte da região Sudeste (com exceção do Espírito Santo) apresentam a ocupação de leitos de UTI em níveis críticos (≥ 80%) ou mesmo extremamente críticos. Ao todo, 17 capitais também se encontram em níveis críticos ou extremamente críticos. O sistema de saúde está sobrecarregado.

Caso isso persista, os pesquisadores alertam para o fato de o país está diante de um momento crítico, trazendo riscos reais de agravamento da pandemia nas próximas semanas.

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