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Saúde VACINAS VENCIDAS

Cidades da Grande Belém e do interior do PA se pronunciam sobre uso de vacinas vencidas contra Covid-19

Ananindeua, Altamira, Marabá e Itaituba negaram que tenha ocorrido o uso de imunizantes fora da validade. Parauapebas informou que faz contato com pacientes que supostamente teriam recebido as doses.

04/07/2021 13h20 Atualizada há 3 semanas
Por: Redação Integrada Fonte: G1 PARÁ
Divulgação
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As prefeituras de cidades da Grande Belém e do interior do Pará, apontadas no levantamento sobre a aplicação de vacinas vencidas na campanha de imunização contra Covid-19, se manifestaram nesta sexta-feira (2) sobre o assunto. O posicionamento foi divulgado após publicação do cruzamento de dados oficiais do governo federal, que aponta que ao menos 26 mil pessoas podem ter recebido doses vencidas da vacina AstraZeneca contra a Covid-19 no Brasil. O trabalho dos pesquisadores Sabine Righetti, da Unicamp, e Estêvão Gamba, da Unifesp, foi publicado pelo jornal "Folha de S. Paulo".

Ananindeua, Altamira, Marabá e Itaituba negaram que tenha ocorrido o uso de imunizantes fora da validade. Parauapebas informou que procurou as pessoas que supostamente teriam sido vacinadas com imunizantes inválidos, e constatou que, das quatro pessoas localizadas, todas receberam doses com a data correta de validade. Outros dois pacientes ainda são procurados para a averiguação junto às carteiras de vacina. Mais cedo, a Prefeitura de Belém também se pronunciou, e negou que tenha ocorrido uso de vacinas fora do prazo de validade.

Os dados do levantamento, aos quais o G1 também teve acesso, indicam que o problema ocorreu com doses de oito lotes da vacina (veja tabela abaixo).

Lotes de vacinas aplicadas após o vencimento; Levantamento foi feito por Sabine Righetti (Unicamp) e Estêvão Gamba (Unifesp) — Foto: Reprodução/ G1

Prefeituras citadas negam o problema e atribuem o achado do levantamento a uma falha dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo os municípios, “é possível que tenha havido erros apenas nos registros, especialmente nas primeiras etapas da campanha de vacinação em massa, quando as anotações eram feitas manualmente me fichas de papel e posteriormente digitadas no Sistema do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI). As Prefeituras informaram que, inicialmente, não era possível fazer correções no sistema, mas as retificações foram liberadas, posteriormente, pelo Ministério da Saúde. As correções estão sendo realizadas.

O Ministério da Saúde disse que todas as doses são enviadas dentro do prazo e que, caso aplicações fora do período ocorram, é preciso passar por uma nova aplicação "respeitando um intervalo de 28 dias entre as doses".

Parauapebas apura o caso

Parauapebas, sudeste do Pará, informou que foram detectados no Sistema de Informação do SIPNI seis pacientes que supostamente tomaram a vacina com prazo de validade de fabricação vencidas. Os lotes identificados são os: 4120Z005 (14/04); 4120Z025 (04/06); CTMAV501 (30/04). 4120Z005 com duas aplicações em 06/06, uma aplicação em 20/06 e mais uma aplicação em 22/06/2021. 4120Z025 com uma aplicação em 17/06. CTMAV501 com uma aplicação em 04/06.

Nesta sexta-feira (2), a Secretaria de Saúde de Parauapebas (Semsa) localizou quatro dos seis pacientes em domicílio, e o lote de registro nas carteiras de vacina condiz com a data correta de validade. De acordo com a nota, esses quatro pacientes não foram prejudicados. A Semsa informou que tenta contato com os outros dois pacientes.

A Semsa também entrará em contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa), para realizar as devidas correções no sistema. E informa que o usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) pode procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima da sua residência para possíveis esclarecimentos.

MPF cobra esclarecimentos da Sespa

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informou que realiza o envio dos imunizantes aos municípios em até 48h da chegada das doses ao Estado e não enviou quaisquer vacinas fora da validade ou próximo da data de vencimento.

Nesta sexta-feira (2), após a repercussão do levantamento, o Ministério Público Federal (MPF) disse que enviou questionamentos à Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa) e a municípios paraenses.

O órgão questiona a Sespa quando os lotes vencidos foram entregues ao estado e quando foram distribuídos aos municípios; além de informações sobre doses que o Ministério da Saúde entregou ao Pará ainda dentro do prazo de validade mas que tiveram validade expirada após a entrega.

Também foi questionado quando e quantas destas doses foram distribuídas aos municípios, e pede dados sobre a data de vencimento de cada lote de acordo com os municípios que os receberam, além do quantitativo por município.

O MPF também questiona a Sespa sobre aplicação de doses vencidas além do quantitativo divulgado pela imprensa e, caso essa aplicação tenha sido feita, o órgão pede detalhes sobre em quais municípios e em que quantidade ocorreu.

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), órgão do MPF, pergunta, entre outros pontos, que providências a Sespa vai adotar para garantir a imunização de quem recebeu doses vencidas da vacina contra a covid-19, em especial a partir do rastreamento de cada indivíduo vacinado incorretamente.

 

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